O treino de sábado (23), será no posto 11 do Recreio das 8 às 10hs. Bons Treinos !!!
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Uma Vida (Muito) Corrida – Artigo da Revista O2

Gostaria de fazer a minha estreia como colunista do portal Ativo.com me apresentando. Meu nome é Alexandre Anesi Maximiliano, tenho 45 anos e sou oceanógrafo e professor de educação física. Nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro, a minha paixão pelo esporte nasceu m minha infâcia, correndo atrás de pipa e jogando futebol. Na verdade sempre amei correr!

Com 12 anos, meu pai começou a me chamar para correr de verdade e foi aí que realmente me apaixonei por este esporte. Parece que foi amor a primeira vista. Corria cerca de 3 km umas duas vezes por semana. Fiz minha primeira prova de corrida com 14 anos e cheguei em primeiro lugar numa prova de 3 km no bairro onde eu morava, no subúrbio do RJ.

Comecei a treinar corrida com seriedade aos 16 anos, quando me inscrevi na minha primeira maratona, a do Rio de Janeiro. Terminei em segundo lugar na faixa etária com o tempo de 2h58min. No ano seguinte, em 1990, fiz a mesma prova em 2h55min, terminando em primeiro lugar na faixa etária.

Ainda com 16 anos iniciei no triathlon, esporte do qual fui atleta profissional por 20 anos. Minha vitória mais significativa aconteceu em 1994, no Triathlon Internacional do Rio de Janeiro. Foi uma vitória muito importante, pois nunca imaginava que poderia vencer. O dinheiro da premiação me ajudou muito a pagar a minha viagem para o Ironman do Havaí e me encheu de confiança para o futuro. Consegui ser duas vezes vice-campeão brasileiro e terceiro lugar na categoria 18/24 anos no Ironman do Havaí em 1995. O triathlon me ajudou a vencer na vida e a conhecer o mundo. Me deixava muito feliz, afinal, ganhava a vida fazendo o que amava.

Dedicado ao esporte, consegui uma bolsa de estudas da UNESA e terminei meu curso de educação física. Paralelo a isso, ainda treinava mais de 100 atletas e também competia triathlon em alto nível.

TREINADOR

A minha carreira de treinador começou em 1994, quando criamos a equipe Start, que existe até hoje. Montamos a equipe, eu e mais dois amigos. Fui convidado por eles, pois precisavam de um atleta de alto nível para ajudar com o treinamento e representar a equipe em competições.

O meu maior desafio, com certeza, foi ter que mudar meu foco, pois quando criei a Start eu tinha como missão treinar e ajudar a formar grandes atletas.
A partir de 2000, passei do treinamento de alto rendimento para treinamento visando a saúde.

Esse processo foi complicadíssimo, pois sempre pensei no esporte de alto rendimento e ficava ansioso quando percebia que um aluno poderia ir mais longe. Demorei a perceber que, às vezes, a saúde, as amizades e o meio social são, para alguns, algo mais importante do que melhorar o tempo ou buscar uma boa colocação na corrida. A partir do momento que comecei a pensar em saúde, as empresas começaram a me procurar, buscando uma vida mais saudável para os funcionários.

Quando criei a Start, em 1994, a corrida não era nem um pouco valorizada. O triathlon era muito mais importante, as inscrições se esgotavam com bastante antecedência. Nas décadas de 80 e 90, as corridas, se tinham 300 pessoas, era muito. Havia inscrições no dia da corrida, por isso as largadas sempre atrasavam. Naquela época, este esporte era uma reunião de amigos e todos praticamente se conheciam. Pessoas humildes e amigas. Por isso sempre amei a corrida.

Mas, por incrível que pareça, o nível das provas era mais forte. Em 1999 eu corri a Meia Internacional do Rio de Janeiro para 1h11min e terminei na centésima posição. Hoje, com este mesmo tempo, eu ficaria entre os 20 primeiros colocados.

Notei algumas mudanças no cenário esportivo, pois os atletas estão sempre buscando novos desafios. Em 1994 o desafio era o triathlon. A partir do ano de 2003 a corrida de rua cresceu e o desafio passou a ser completar as maratonas e meias-maratonas. Hoje, além destas provas, o desafio está nas corridas de montanha e ultramaratonas em trliha.

Esse cenário, aliás, é muito preocupante, porque são provas que levam a uma exaustão emocional e física enorme – e muitos não estão preparados para suportar a carga de correr mais de duas horas em montanha, o que pode levar a lesões mais sérias.

Hoje a minha vida está equilibrada. Já atingi metas inimagináveis com minha assessoria esportiva e também com a corrida. Nunca esperava baixar das 2h40min em uma maratona e consegui isso em Chicago com 43 anos. Fiz grandes amigos no Brasil todo e é um prazer correr essas maratonas internacionais. Em Berlim, em 2016, fui o segundo brasileiro a terminar a prova.

Hoje treino cerca de 400 alunos e minha maior satisfação é transformar a vida dessas pessoas, eliminando o sedentarismo de suas vidas. Sei que correr não é fácil para quem está fora de forma, mas quando os resultados aparecem a satisfação é imensa.

RECORDES PESSOAIS
Ironman 1995 Havaí – 9h36min
Triathlon olímpico ITU Rio 2000) – 1h47min30s
Short triathlon de Caiobá 1997– 51min48s
Meia-maratona Internacional do Rio de Janeiro 1999 – 1h11min11s
Maratona de Berlim 2015 – 2h37min40s

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